quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Muerte e ofertas
Um hippie cantando músicas africanas em seu tambor, por uma moeda ou um aplauso, por favor. Um índio com sua flautinha e violão cantando aos corações das muchachas do metro. Era clara a preferência geral. Uma sirene advertendo o fechamento da porta e uma multidão se aproximando para entrar rápido. Estavamos indo a La Merces, um lugar onde se encontra tudo e bem barato. Uma nova amiga, Cecília, me disse que havia um lugar bom para encontrar bom preços e uma diversidades única. Ela tinha razão, diversidade e bons preços. Esqueceu de mencionar suor-puxa-puxa-gritaria-camelô-gigante-e-otras-cositas-más. É maior que a feira hippie de Goiânia com um misto de feira de animais, confeccoes, eletronicos, cozinha, acougues, doces (a melhor parte) e todo tipo de artesanato mexicano (destaque para as cerâmicas belíssimas). Gostei bastante da experiência. Por $6 pesos é possível cortar a Cidade do México. O transporte público é normalmente barato, gastamos pouquíssimo nesta jornada às banquinhas.
Como se aproxima o Dia dos Mortos, festividade dos dia 01 e 02 de novembro, todo o comércio está tomado pelo tema. São caveiras, abóboras (que também corrobora com a época do Halloween), máscaras e fantasias e uma infinidade de oferendas para os mortos. As oferendas normalmente são carregadas de símbolos místicos, ervas, pedras, flores e normalmente é dado ao ente querido falecido, algo que ele gostava de comer. Falando com Cecília, comentou para sua mãe lhe oferecerá café com pão, mas sua irmã que também se foi, seria cerveja e muita tequila. O México nestes meses volta-se completamente para este festejo e as bebedeiras nesta comemoração já se iniciaram. Um mês atrás eram os gritos de !Viva México! em virtude da festa do Bicentenário. De um mês para o outro todos os doces são caveiras e sepulturas, os brinquedos infantís são esqueletinhos e qualquer outra coisa relacionada à "buena muerte".
Comprei algumas cerâmicas e doces e voltei esgotada, como se tanto apelo comercial houvesse me sugado as forças. No caminho de volta peguei mais metro e caminhones (onibus) e também micros (os microonibus). Vi uma menina sentado no ônibus, muito igual à minha irmã, só que bem jovenzinha, no máximo 15 anos, e já com um bebê lindo no colo. Seu olhar era vidrado, não tinha ânimo nem brilho. O nenem tentava lhe roubar a atenção mas nada lhe tirava de seu descontentamento aparente. Senti uma tristeza grande. Tenho visto muitas meninas-mães aqui. Esta carregava uma pequena mochila e seu tênis e calça jeans eram tão infantís... a inocência perdida, uma bonequinha de menina com seu bebê perfeito. Penso que a alegria em forma de festas, na maneira de viver daqui também é uma forma de reagir aos inúmeros problemas sociais. Há um peso grande, como uma melancolia pós uma rodada de tequilas. Vê-se nos olhos, como um vazio. Volto mais uma vez a falar de desigualdade e necessidade de Deus. É o que sinto e tenho visto.
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Nossa.. que experiencias,hein?! pra vida toda! Qual irmã a "bonequinha de menina" se parece? Doeuuu meu coração! Vamos orar por esse povo! e mãos a obra Tábita e Daniel! ;)
ResponderExcluirHUm! As festas são bem marcantes! rs.. vi as fotos no orkut! dá até medo desse povo vestido de 'morto'.. cheio de hematomas e feridas abertas!! Nosso Deus!
ah!! pensa nessa feira gigante!! Do jeito que eu adoro lotação/feira e gente gritando... sairia correndo dela! hahahhe.. ;)
ResponderExcluirps: to velha. kkkkkkkkkkkk..